Como é voar na indiana Jet Airways

Denis Carvalho 4 · outubro · 2012

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Desde o início do Melhores Destinos, as avaliações de companhias aéreas estão sempre entre os posts preferidos dos leitores. Muitos aproveitam a possibilidade de pegar uma carona na viagem de outra pessoa pela narração e fotos, tiram suas dúvidas e emitem suas opiniões, tanto que hoje estamos perto de 50 companhias aéreas avaliadas. Entre tantos relatos, o da indiana Jet Airways, que publicamos hoje, pode ser considerado especial. Mais do que avaliar a empresa, a leitora Letícia Maia nos traz um relato muito divertido de sua experiência, às voltas com funcionários galanteadores, disputas insólitas por seu assento, sistemas estranhos de servir alimentos e até um misterioso suco…  De quebra, passamos a conhecer os serviços da Jet, que é a segunda maior companhia aérea do país e voa para 101 destinos, com uma frota de 101 aviões. Acompanhe:

Introdução

Alguns elementos da cultura indiana desde sempre me despertaram um vívido interesse. Por isso, quando me vi diante da possibilidade de viajar àquele país, não pensei duas vezes. A escolha da companhia aérea com a qual faria três trechos – Kathmandu a Délhi, Délhi a Pune e Pune a Délhi –  se deu fundamentada basicamente no critério preço, afinal eram voos de curta duração e eu não tinha nenhuma referência prévia de companhias aéreas para guiar minha eleição.

Compra

Comprei as passagens pela internet. O site poderia ser mais amigável. Logo de cara, nos pedem para escolher o nosso país e o Brasil não consta na lista. As linguagens disponíveis para o site são só inglês, espanhol,  francês e uma outra lá. Lembro-me de dispender um tempo considerável na compra dos bilhetes porque uma tarifa 20% mais baixa aparecia como uma opção no resultado de minha busca, mas ao prosseguir com a compra, chegando ao final, depois de um formulário relativamente grande no qual eu  fornecia inclusive minha forma de pagamento, dados do cartão de crédito etc, o site me informava que aquela tarifa não estava mais disponível, mas que a outra, mais cara, sim, estava.

Eu saía do site, entrava novamente e efetuava outra busca, recomeçando tudo do zero. Mais uma vez, a tarifa aparecia como disponível e eu era conduzida ao longo e cansativo formulário de reserva e mais uma vez a tarifa mais baixa não estava disponível ao final, depois de tudo. Sentia que estava sendo ludibriada, estavam tentando me vencer pelo cansaço. Fiz isso algumas vezes, deixei para o dia seguinte e, vendo que a situação se repetia e que aquela tarifa era apenas um chamariz na verdade inexistente, comparei os preços da tarifa normal da Jet Airways com as outras. Ainda assim foi a mais barata. Desisti de tentar comprar a tarifa mais barata que sempre aparecia no momento da pesquisa e sumia no ato final da reserva e comprei à regular mesmo.

Voo de Kathmandu para Delhi

Os três aeroportos nos quais fiz check-in com a companhia são bem diferentes um do outro. Kathmandu, no Nepal, é relativamente pequeno e as filas começam antes de entrar no aeroporto. Fui revistada várias vezes, até mesmo na porta do avião.No check-in, pedi pela janela e tive a sensação de que não havia sido compreendida, a comunicação não fluiu. A atendente sorria, mas parecia na verdade estar rindo de mim. Meu inglês deve ser engraçado para eles, tanto quanto o deles é para mim. Apesar de ser de poucas palavras, depois que entrei no avião vi que a atendente havia me entendido sim e me colocou no meio do avião, próxima à saída de emergência e na janela, como havia solicitado.

No aeroporto de Kathmandu os banheiros não são de assento sanitário, são daqueles em que a gente tem que ficar de pé. Há água de beber e copos descartáveis disponibilizados gratuitamente. A opção de lanchonete me lembrou mais uma pequena mercearia.

Embarque

A atenção que recebi no embarque foi algo interessante. Estava meio perdida sem saber o portão de embarque – apesar de que eram poucos  – e estava preocupada com a questão da língua, porque nem o guia que me acompanhou durante toda a viagem no Nepal tinha conseguido pronunciar o meu nome de maneira compreensível mesmo após quatro dias de treino…

Não havia cadeiras disponíveis no local em frente aos portões de embarque e eu não queria ficar esperando em pé. Do local que tinha lugar para sentar não dava para ver os portões. Perguntei ao segurança, mostrei meu cartão de embarque e ele me disse que poderia aguardar lá. Decidi esperar sentada e ir lá de vez em quando para ver, mas nem precisou, porque na hora em que começou o embarque do meu voo, o funcionário do aeroporto foi me buscar.

Voo

O voo foi feito em um Boeing 737, fileiras de três assentos de cada lado. O avião me pareceu um pouco sujo, o espaço era até confortável, mas o apoio de braço direito estava quebrado. O voo saiu no horário, mas foi um pouco desagradável pela senhora que se assentou ao meu lado. Quando entrei no avião, ela ocupava o meu lugar na janela. Com uma careta e reclamando em hindi, ela foi para a cadeira do meio e eu só consegui acessar o meu assento porque sou magra e consegui passar. Ainda permaneceu reclamando por algum tempo, colocou o pé para cima na poltrona da frente e abriu os braços de maneira a ocupar mais do que o apoio de braço direito dela, com o cotovelo quase no meu colo.

Não havia nenhuma refeição inclusa. O cardápio tinha opções interessantes e os preços eram bem razoáveis, mas resolvi não me aventurar. Para entretenimento dos passageiros, havia uma revista disponível. Já havia sido bastante folheada, estava meio velha e suja, mas o conteúdo era interessante, pude me distrair um pouco com ela.

No meio do voo, resolvi ir ao banheiro. Quando voltei, a senhora tinha se mudado para a janela e o marido para a poltrona do meio. Quando sinalizei que queria voltar ao meu lugar, ela disse que não. Chamei o comissário de bordo, a essa altura a mulher já estava gritando, nervosa e o comissário me traduziu para o inglês que se eu queria ficar me levantando toda hora, eu deveria me assentar no corredor. Não sei se estava com medo da senhora, ou se realmente concordava com ela, mas o comissário queria que eu me conformasse com a mudança de assentos. No que eu insistia, a senhora ficava cada vez mais nervosa e eu via a hora em que eu ia acabar apanhando. A minha calma parecia irritá-la ainda mais.

Poderia ter cedido o lugar a ela, mas a atitude dela me desagradou e se eu cedesse o lugar àquele momento, ficaria como se eu não estivesse fazendo mais do que minha obrigação, quando, na verdade, ela estava tentando me roubar o lugar desde o início. Fui roubada uma vez na Índia e sofri várias outras tentativas de roubo, pessoas tentando me passar a perna o tempo todo. Disse ao comissário que o meu lugar era aquele, que se ela queria se assentar na janela, que tivesse chegado mais cedo ao check-in e que eu iria na janela, ainda que fosse no colo dela. Ele ainda tentou me convencer, mas vendo que eu não cederia, me disse que então eu não poderia ir mais ao banheiro!

Respirei fundo e com a cara mais séria que pude fazer, respondi a ele pausadamente como se ele tivesse algum problema, mostrando o meu cartão de embarque, que o direito de uso do assento XX durante o voo XX era meu – mostrei o meu nome e o abri o meu passaporte – que eu iria ao banheiro quantas vezes fossem necessárias e que não seria ele a me impedir nem de me sentar no meu assento, muito menos de ir ao banheiro. Apesar de falar assim, quando finalmente consegui voltar ao meu lugar, só me levantei depois que todos desceram quando o avião aterrissou. A senhora continuou reclamando e fazendo de tudo para me incomodar e eu continuei ouvindo o meu CD de meditação.

A chegada a Delhi foi tranquila, o sujeito da imigração bem simpático, queria saber mais sobre o Brasil. Como não despachei mala em nenhum desses voos, não tenho nada a falar sobre esse serviço.

 

4. Voo de Delhi para Pune, ida e volta

O aeroporto de Delhi é muito bom. Assim como em Kathmandu, a checagem do bilhete é feita logo na entrada do aeroporto. O atendimento no check-in foi um pouco intimidador, constrangedor. O atendente me fez várias perguntas pessoais, me cantou, me deu o telefone dele e, olhando o meu bilhete, viu quando retornava a Delhi e disse que naquele dia fazia questão de me levar para conhecer melhor a cidade.

Não tive espaço para fazer minhas perguntas. Saí do guichê sem ter ideia de qual seria o meu assento, se o voo estava no horário ou para onde eu ia. O aeroporto é bem grande e por causa desse constrangimento, fiquei um pouco perdida. Tive que perguntar no guichê de informações do aeroporto, porque não queria voltar lá no rapaz da companhia aérea.

Enquanto esperava, comprei um suco naquelas maquininhas. Pela cor, imaginei que seria um suco de kiwi, limão, abacate, sei lá. Dentro da máquina, não dava para ver direito, mas pensei que seria um suco de frutas. Joguei dinheiro fora. O primeiro gole me surpreendeu negativamente, o suco era salgado. Muito esquisito. Deixei lá.

Voo

O voo foi feito em um Boeing 737, fileiras de três assentos de cada lado. Foi pontual. Não havia nada quebrado como no primeiro e o avião me pareceu mais limpo. Os comissários falavam hindi. Não cheguei a descobrir se eles falavam inglês, deviam falar. É que a essa altura, já sabia falar os nomes das comidas em hindi, então eles me deram as opções – que não eram muitas, respondi e agradeci em hindi e pronto. Foi servida uma refeição aproximadamente no meio do voo de duas horas de duração. Os talheres eram de metal e estavam limpos.

Agora não me lembro mais como era o nome do que comi, só sei que estava gostoso. As opções na Índia são muito em função de ser ou não vegetariano. Na reserva pelo site, há uma lista enorme de opções de refeições, como até, por exemplo, se é vegetariano, mas come ovos ou toma leite. Levei um tempo para responder àquele questionário até eu entender o que era cada uma daquelas opções, mas durante o voo a opção marcada lá não faz diferença nenhuma  e não havia de fato a que eu havia escolhido, de vegetariano sem lactose.

Não me pareceu muito higiênico o método de identificação da refeição. As refeições são acondicionadas em umas marmitinhas e diante da escolha do cliente, os(as) comissários(as) levantavam o papel alumínio assim de ladinho, espiavam a cara da comida e se fosse aquilo mesmo, fechavam o alumínio e entregavam ao cliente.

Chegada

A chegada a Pune transcorreu muito bem, o aeroporto pequeno, mas relativamente moderno e limpo. Diferente do de Kathmandu, por exemplo. Muitas opções de lanches e até de serviços. Enquanto esperava o voo de volta, fiz uma massagem nos pés em um spa minúsculo que há na sala de embarque que foi uma das melhores da minha vida, muito boa mesmo, com reflexologia. O aeroporto de Pune me lembrou os aeroportos brasileiros, assim como a própria cidade: um clima muito agradável, bem diferente da capital e do norte da Índia. O voo de volta também foi pontual, no mesmo avião, com o mesmo tipo de refeição, sem maiores incidentes.

Dicas e conclusão

Eu voaria novamente com a companhia aérea Jet Airways sem problemas. O ponto forte dela é o preço. Foi pontual. O atendimento, de maneira geral, foi bom. Uma dica que dou é para levar o seu próprio entretenimento e, caso não queira se aventurar com a comida indiana ou se for uma pessoa mais fresca, sua própria comida. Evite sair do seu lugar durante o voo. Outra coisa é para não se animar com as tarifas mais baixas que na verdade são quase impossíveis de comprar. Além disso, não precisa se preocupar em preencher a sua requisição de refeição corretamente. Lembre-se de pedir para ir à janela no check-in. E, se for mulher viajando sozinha, use um bindi no meio da testa e responda que é casada, quando te perguntarem, senão quiser receber um assédio insistente e olhares intimidadores de gelar a espinha de medo.

Agradecemos a Letícia por esta avaliação e ficamos aqui imaginando: se apenas o trajeto aéreo rendeu tantas histórias, imagina a viagem toda pela Índia! E você? Já voou pela Jet Airways? Deixe suas impressões nos comentários!  Se você fez ou vai fazer uma viagem com alguma empresa aérea que ainda não foi avaliada aqui no Melhores Destinos ficaremos felizes em publicar sua avaliação: entre em contato pelo e-mail dicas@melhoresdestinos.com.br Você pode conferir todas as avaliações publicadas pelo MD neste post.

 

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe