Como é voar na Flyways – a nova companhia aérea brasileira

Redação 26 · fevereiro · 2016

No final do ano passado uma nova companhia aérea brasileira iniciou suas operações no país, a Flyways Linhas Aéreas. Criada com o objetivo de oferecer voos de baixo custo para os passageiros, a Flyways opera hoje nos aeroportos de Brasília, Belo Horizonte, Araxá, Patos de Minas, Ipatinga, Uberaba e Rio de Janeiro com aeronaves ATR 72-500 com capacidade total para 68 passageiros totais.

Mas como será que é voar com a novata companhia aérea brasileira? O nosso leitor Caio Martins Lima nos enviou uma avaliação de voo inédita e bastante completa sobre como é voar com a Flyways. Confira todos os detalhes do voo que ele fez entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte e tire suas próprias conclusões sobre os serviços da companhia aérea.

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Agradecemos ao Caio por enviar ao Melhores Destinos uma avaliação de voo inédita e que será útil para muitos leitores viajantes brasileiros. Lembre-se, se você também teve a oportunidade de fazer um voo com a Flyways, deixe suas impressões nos comentários ao final do post.

Boa leitura!

Introdução

Foi minha primeira vez voando com a Flyways, e a escolha por essa companhia aérea foi apenas pela questão de preço. No caso, precisávamos de passagens de última hora para o Rio de Janeiro (compradas em uma terça-feira, para realizar o voo no final de semana) e a companhia estava fazendo promoção de trechos por R$ 99, divulgada aqui no Melhores Destinos. Sendo assim, compramos o voo de volta para a segunda-feira à tarde, do Rio de Janeiro até Belo Horizonte.

Trecho: Rio de Janeiro (GIG) – Belo Horizonte (PLU)
Voo: FY 9711
Data: 22/02/2016
Duração: 55 min

Eu já havia voado por diversas vezes com a Azul de/para Pampulha, então já sabia o que era voar nos ATR.

Compra

A compra dos bilhetes foi feita pelo próprio site da empresa, que é bem fácil de navegar. O único inconveniente é que precisa-se fazer um cadastro com inúmeras informações antes de comprar as passagens. Eles possuem uma tarifa “jovem”, para pessoas de 12 à 21 anos, mas que, no nosso caso, estava o mesmo preço da tarifa de adultos.

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A plataforma do site é, aparentemente, a mesma usada pela companhias aérea Passaredo, e a primeira surpresa foi positiva. Por ser uma companhia iniciante, eu esperava encontrar dificuldades, ou que a compra não fosse ser tranquila e organizada, mas foi um equívoco. O e-ticket foi emitido imediatamente, contendo todas as informações necessárias.

Como dito, a Flyways estava fazendo promoção de trechos por R$ 99, então a passagem saiu por R$ 124 por pessoa, já com taxas. A franquia de bagagem é de 23 kg.

Check-in e embarque

A Flyways opera no T1 no Galeão e seus balcões ficam à direita dos da GOL (logo no início do terminal). O voo estava previsto para sair às 15:40 e os guichês abriram 13:30. Eu não havia feito check-in online, e como já estava no aeroporto, fui um dos primeiros a fazer check-in e despachar as malas.

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A empresa disponibilizou dois guichês para seus passageiros, mas como atualmente ela só opera um voo saindo do Galeão, isso não foi problema algum. Naquele momento não havia fila.

Houve um pequeno problema com 3kg de excesso de bagagem e o atendente se mostrou um pouco confuso em relação a isso. Ele saiu do guichê e foi até a loja da companhia aérea conversar com a gerente, que depois de cerca de 5 minutos tentando ligar para o call-center da Flyways (imagino que estava tentando conversar com algum superior), nos liberou de pagar o excedente, estávamos em duas pessoas com uma única bagagem. Fora isso, todo o processo do check-in se deu de forma rápida e tranquila.

O voo saiu do portão R4, visto que os ATR não são compatíveis com os fingers de nenhum aeroporto.

Houve um atraso no voo, e o embarque, que tinha início previsto para às 15:10, começou somente às 15:45. Curiosamente, quem estava conferindo os cartões de embarque era a mesma gerente que resolveu o problema da nossa mala no check-in. É claro que isso não é prejudicial, mas mostra que a companhia ainda conta com número limitado de funcionários.

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No embarque foram respeitadas as prioridades legais, mas as pessoas não foram divididas em grupos de acordo com suas fileiras, como costuma ocorrer em outras empresas aéreas. No entanto, esse se deu de forma tranquila e organizada (até porque não haviam tantos passageiros, pelo tamanho do avião) e fomos levados pelo ônibus da Infraero até a remota.

Avião 

O voo foi realizado em um ATR 72-500, de matrícula PR-TKN, que já foi das companhias aéreas Air Nostrum, TRIP e Azul, antes de ser da Flyways.

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Sem dúvidas, ele não engana a idade. Seu interior é visivelmente velho e não apresenta nenhum traço de sua empresa dona, como pintura ou logo, em nenhum lugar. A configuração dos assentos é 2×2.

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A poltrona à minha frente estava quebrada. O encosto dela estava livremente se deslocando para frente e para trás. A passageira deste assento chamou a comissária e relatou o defeito, mas a funcionária não demonstrou preocupação alguma.

Outro ponto negativo é que o bagageiro da cabine é bastante limitado, mas isso é uma característica do avião e não culpa direta da companhia aérea.

Já o espaço para as pernas entre as poltronas é razoável. Tenho 1,78m e meus joelhos não chegaram a encostar (mas quase) na poltrona da frente.

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Dica: o barulho dos motores dos ATR é bem maior que de jatos e pode incomodar quem estiver sentado próximo. Evite a fileira 4 a todo custo, é exatamente ao lado das hélices e o barulho é insuportável.

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Serviço de bordo e Refeições

O serviço de bordo foi “ok”. Havia duas comissárias no voo, sendo que uma delas era consideravelmente mais simpática do que a outra, mas posso dizer que nenhuma delas foi mal educada.

Logo após o sinal de atar cintos ser desativado, começou o serviço de bordo. Foram servidas bebidas (suco de laranja, água, Coca-Cola e Coca-Cola Zero) e uma esfirra de carne, que estava quente e saborosa. Pouco tempo após o serviço, as comissárias passaram pelas poltronas para recolher o lixo.

Pouco antes do começo da descida para pouso, foi distribuído um bom-bom para cada passageiro, um toque bacana da companhia na minha opinião.

Entretenimento de bordo

Simplesmente nenhum, nem revista de bordo. A única opção de diversão dos passageiros era ler o cartão de segurança.

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Vale destacar que foi solicitado aos passageiros que mantivessem o celular desligado durante todo o voo, uma “política” que considero bastante atrasada e incompatível com o que vem sendo feito em outras companhias do Brasil e do mundo.

Chegada

Pousamos no aeroporto da Pampulha às 17:23, sendo a duração do voo de quase uma hora. O avião taxiou até o terminal e as bagagens começaram a aparecer na esteira aproximadamente 15 minutos após o desembarque.

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Os passageiros que seguiriam viagem para Ipatinga permaneceram na aeronave.

Conclusão

Atualmente, a companhia enfrenta competição das companhias aérea Passaredo e Azul nos voos regionais no sudeste. Como base de comparação, na minha opinião, a Azul proporciona uma experiência de fato melhor e as aeronaves são mais novas e o serviço, de forma geral, é melhor.

Contudo, não pode-se esquecer que a Flyways está em seus primeiros meses de “vida”. É uma empresa de alto potencial. Na minha opinião, para experiência com a companhia aérea ficar realmente boa é necessária a aquisição de novos aviões e mudar a política de celulares desligados durante todo o voo, além de oferecer também algum tipo de entretenimento a bordo, que seria bastante positivo.

Seu grande ponto forte são os destinos que opera. Para quem é de Belo Horizonte, por exemplo, o aeroporto da Pampulha costuma ser mais perto de onde se precisa ir, e atuar nele é um ponto positivo da companhia.

Sem dúvida, o custo x benefício da Flyways também foi determinante para a escolha e emissão dos bilhetes.

Publicado por

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  • Fabricio Delamare

    Eu imagino que com a saída da Azul do PLU e o fato da TAM (ainda que aos poucos) cancelar rotas do GIG, a FlyWays tem chances de crescer sim. Como disse o Caio, é só questão de tempo. O preço bom ajuda e o voo curto com lanche provoca a GOL. O problema é se ela se popularizar, crescer e achar que pode aumentar o preço, assim como a Azul fez.

    • Ícaro

      quando uma empresa cresce ela tem que pagar mais impostos e nao “achar que pode aumentar o preço”…

  • Luciano Rego

    Torço muito para que a Flyways “decole” e cresça. Precisamos de mais empresas, mais concorrência. Vida longa à esta nova empresa.

  • Cidadão

    Essa companhia ainda é muito desconhecida para o grande público. Precisa de mais divulgação

  • victor

    Idêntica a Passaredo…

  • Fabrício Silva

    O vôo estava lotado?

    • Caio Lima

      Estava!

  • Henrique Resende

    Estou ansiosamente esperando ela começar a operar em Brasília, tenho família em Uberaba e atualmente o voo BSB/UBA é muito demorado e às vezes mais caro do que trechos internacionais (só existe opção pela Azul).

    • Orem B. Hartuing

      Pra Uberlândia não acha boas passagens, Henrique? Tem o inconveniente da distância, mas acho que em uma horinha chega-se lá, estou certo?

      • Jonatas Elias

        De carro são cem quilômetros, de avião é pertinho.

        • Rubens Ferreira

          100 km de Brasília a Uberlândia???? Acho que vc está bem equivocado…

          • Jonatas Elias

            Pelo visto tu não leu o comentário anterior, ou leu e não soube interpretá-lo. São 100 km entre Uberaba e Uberlândia.

        • Orem B. Hartuing

          É verdade, o ideal é que existissem boas opções para Uberaba também, mas não sei se a demanda local comportaria muitas atividades aí tendo uma estrutura pronta e funcional em Uberlândia. É o mesmo caso de Ponta Grossa (PR), Caxias do Sul (RS) e Feira de Santana (BA), os custos não compensariam para as empresas (nem para os passageiros, pois a passagem sairia mais cara)

  • Vinícius

    Com ela poderá ocorrer duas situações: primeira é falir, segunda cobrar caro que nem Azul ou Passaredo. Pq no Brasil é isso.

  • Ricardo Calovi

    Parece ser um bom começo mas me preocupa é a questão do equipamento, poltronas com problemas… penso que não custava nada que a aeronave fosse devidamente revisada antes de entrar em operação. Esta questão de poltronas com mal funcionamento eu vivencio seguidamente na Azul sem que providencias sejam tomadas a respeito.

    • Jonatas Elias

      Vá lá, fosse meia dúzia tudo bem, mas uma ou outra é natural. Pode ser que tenha sido quebrada por um passageiro no voo anterior, e não é operacional ficar inspecionando poltronas a cada ciclo realizado. Mas concordo que na manutenção, como o avião estará parado, deverá sim ser providenciado o conserto.

  • Daniele Martins

    Excelente descrição! Útil para os passageiros e para companhia aérea que vai saber a experiência dos clientes.

  • Wólnei Franco

    Voos suspensos em Ipatinga à partir de 12 de março. Azul tbm.

  • paluzoid

    “Vale destacar que foi solicitado aos passageiros que mantivessem o celular desligado durante todo o voo, uma “política” que considero bastante atrasada e incompatível com o que vem sendo feito em outras companhias do Brasil e do mundo.”

    Alguém me tira uma dúvida, por favor?

    Isso depende de autorização da ANAC para cada linha aérea liberar o uso do espertofone em voo (tipo a GOL já pode, mas a Avianca ainda não pode por eqto), ou a ANAC já liberou para qualquer linha aérea, mas a permissão de usar ou não é política de cada empresa?

  • Orem B. Hartuing

    A Avianca também tem essa política ultrapassada de não permitir ligar os celulares durante todo o voo. Há dois meses, estava terminando um relatorio de trabalho no celular e a comissária veio de uma maneira bem rude pedir que eu desligasse o aparelho (como se eu tivesse cometendo um crime a bordo)

    • Gustavo Ribeiro Iribarrem

      O interessante é que só acontece na Avianca Brasil.
      Fui a San Andrés na Colômbia no início do mês e tanto na Avianca Colômbia como na Internacional se pode usar o celular em modo avião o vôo todo, inclusive decolagem e pouso.
      Assim que a aeronave toca o solo já se pode usar sem restrições.

      • Jorge Frutuoso

        Gustavo, a Ilha e “barata” mesmo, como se comenta? Rsrs

        • Gustavo Ribeiro Iribarrem

          Cara, barato é um termo bem relativo hahahah
          É bem democrática. Dá pra gastar muito pouco ou bastante, depende de como tu vai querer passar os dias lá.

          Mas sim, achei a ilha relativamente barata, preços bem próximos aos brasileiros para o dia a dia. Para compras não acho que valha a pena.

          • Anderson

            Estive lá em fev/15 e os preços eram bem convidativos. Almoço no pelicano 18 reais e refrigerante ou água na Mickey Mouse 1,40. Passeio a jonhy Cay 25 reais. Mudou muito com esse dólar a 4 reais? Pergunto pois vou voltar lá com amigos no fim do ano. Achamos o mar de uma beleza e transparência incrível.

      • Orem B. Hartuing

        Acho muito estranho essas duas companhias terem o mesmo nome, não são em nada parecidas, não têm ligação nenhuma. No mínimo, o programa de milhagem tinha que se interligado.

  • Jobe Medeiros

    Tive uma experiência de voo na Flyways entre Ipatinga e BH e não foi das melhores.
    Entrar em um avião e ainda ver cinzeiro nas poltronas…é sinal de que aquele avião tem muita história!!! No decorrer do voo, senti que o piloto fazia manobras bruscas, não comuns em outros voos ATR que já havia tido.
    De fato, tentarei evitar retornar a um voo desta empresa, até que ela adquira novos aviões…

  • Valdir Campos

    estes aviões são sucatas desconfortáveis.

  • Fabio

    Eu torco pelo sucesso da empresa de modo a aumentar a oferta para nos. E que ela nao seja absorvida por algum dos membros do cartel, como aconteceu com Pantanal, Webjet e Trip.

  • Andre S

    O fato de o mesmo funcionário/a atender no check-in e depois no embarque indica que a empresa tem poucos vôos naquele aeroporto, não quer dizer que a empresa é pequena ou iniciante. Isso já aconteceu comigo em vôos da Delta e Avianca Internacinal, cias de grandíssimo porte.

  • jorge moraes

    O histórico de pequenas cias aéreas que surgem com duas ou três aeronaves não é nada bom. Vide: Nacional, Via Brasil e Puma. Todas fecharam em pouco tempo.

  • MOACYR LOPES DOS SANTOS

    Enquanto isso, a média de passageiros nos voos Uberaba – BH está em 10 pax/voo. Não vai durar

  • Jonatas Elias

    Sim, depende de liberação da ANAC. Para isso, a empresa deve apresentar um estudo que diz que o uso dos aparelhos não interferirá na segurança do voo. Se a empresa não apresenta, não será liberada. Obviamente que um estudo desses não deve sair barato, e não deve ser a preocupação de uma cia iniciante.

  • Leandro Vale

    torço que a flyways venha a oferecer um serviço e aeronaves melhores. Mas enquanto isso pelo visto está uma negação.

  • Sergio dos Santos

    Sinceramente, um dos piores FR que já li aqui no fórum, já tinha lido alguns FR´s da Companhia, desde o vôo inaugural e esse com toda a certeza foi o pior, faltaram detalhes e o avaliador está mais interessado em uma análise critica do que realmente nos relatar o vôo.

    • Caio Lima

      Primeiramente, lembro-lhe que isso é uma AVALIAÇÃO, não simplesmente um Flight Report (relato de voo). Minha intenção foi permitir que, através da leitura do texto, pessoas tenham mais embasamento para decidir optar ou não pela cia. Considero que, para tal fim, uma análise mais crítica seja mais eficiente do que simplesmente contar o que aconteceu, minuto a minuto. Posso estar errado, mas acho que o principal foco do MD são viajantes regulares, e não entusiastas da aviação (apesar de eu também ser um), que querem ter informações minunciosas sobre o voo. Entenda que pequenos detalhes, como o que a comissária falou ou deixou de falar ou por qual cabeceira o avião decolou, igualmente fazem pequena diferença na viagem de alguém. Contudo, se algo tivesse saído muito do padrão, eu teria citado. Peço, apesar disso, que me escreva quais detalhes faltaram, em sua opinião, para que, talvez, possa acrescentá-los em uma avaliação futura. Obrigado.

  • Luis

    Não esqueçam qd a TRIP iniciava os voos,usava os ATR bem velhos tbm.

  • Gustavo Ribeiro Iribarrem

    Cara, realmente acho que desses valores aí subiu um pouco, mas bem pouco. Fiz Jhonny Cay e Acuario por 40 mil COP. Comida varia muito entre os lugares, não fui nesses aí pra poder dar uma ideia melhor.

  • Cristiano

    Ótima companhia, bom preço, ótimos comissários de bordo o avião é legal para um vôo de 1/hora no máximo que é da Pampulha ao galeão recomendo com certeza viao pela flyways, temos q dar prioridade pra companhia se não ela pode quebrar e não ter concorrência com a azul.