Aeroporto de Viracopos em Campinas planeja se tornar o maior da América Latina. Conheça o projeto em detalhes

Denis Carvalho 17 · abril · 2013

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“Está no nosso DNA ser o maior aeroporto da América Latina no futuro. Agora, temos que trabalhar para sermos também o melhor”. A frase do diretor comercial da Aeroportos Brasil Viracopos, Aluizio Margarido, define com exatidão o ambicioso projeto que a nova concessionária está implantando no aeroporto de Campinas. Mais de 3.700 operários e maquinas pesadas trabalham a todo vapor para dar forma ao novo terminal, com capacidade para 14 milhões de passageiros, com entrega já marcada para 11 de maio do ano que vem. Mas ele é apenas o primeiro passo de um plano diretor de trinta anos, que tem como meta transformar Viracopos em um aeroporto cidade, com quatro pistas de pouso e decolagem simultâneos e capacidade para 80 milhões de passageiros por ano – mais que o dobro do movimento registrado por Guarulhos. A convite da Aeroportos do Brasil e da Azul linhas Aéreas, o Melhores Destinos fez parte de um grupo de jornalistas e blogueiros convidados para conhecer as obras em Viracopos. Acompanhe nessa matéria os detalhes deste novo gigante, que no futuro pode fazer parte de suas viagens.

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Maquete do novo terminal

O conceito principal do plano diretor é o de aeroporto cidade  ou aerotrópolis, que reúne em um só lugar uma ampla variedade de serviços, lojas e restaurantes. “Este é um conceito comum na Europa. No aeroporto Schiphol, em Amsterdã, há supermercados e até um açougue. Pode parecer estranho, mas é totalmente lógico quando se pensa nas milhares de pessoas que trabalham diariamente no aeroporto”, observa Margarido.

A nova gestora de Viracopos investe pesado nesse conceito. Basta uma passada no saguão do aeroporto para notar a proliferação de novos comércios, alguns ainda em instalação. O novo terminal vai além, incluindo salas comerciais e dois hotéis, com 350 quartos. Isso fora um mix variado de alimentação, comércio e serviços. Espaço não vai faltar, já que o novo terminal terá 145 mil metros quadrados contra apenas 28 mil do atual. “Nós queremos desonerar ao máximos as companhias aéreas e retirar a maior parte do faturamento da área comercial. Essa é uma tendência mundial que gera um círculo virtuoso, atraindo mais companhias aéreas e mais pessoas para o terminal”.

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Aluizio Margarido durante a apresentação

Obras

A concessionária dividiu as obras em cinco fases de execução e pretende entregar a primeira delas no dia 11 de maio de 2014. ” A presidenta Dilma já confirmou presença”, garante Margarido. Este primeiro estágio inclui a construção de um novo terminal com capacidade para 14 milhões de passageiros por ano. A construção terá 28 pontes de embarque, sete novas posições remotas de estacionamento de aeronaves e um edifício-garagem com quatro mil vagas, além da ampliação das pistas de taxiamento de aeronaves. Esta aliás, é uma prioridade: ontem todos os quatro bolsões estavam lotados.

 

O projeto prevê que as áreas de embarque sejam ampliadas em 142%, passando dos atuais 2.396 m² para 5.814 m² através de conexão com mezanino para aproveitamento do espaço, conector para uso adicional de embarque e construção de terminal remoto para aeronaves com motor turboélice com sete novas posições para o estacionamento.

“O novo terminal vai ter um design simples, mais funcional. É uma caixa com lajes, pilares e vidro, quase como um Lego. Muito funcional, fácil de manter e de ampliar. Além disso, vamos privilegiar a iluminação natural com claraboias e paredes envidraçadas. Teremos ainda um forro em madeira para deixá-lo mais aconchegante, já que estamos no interior do estado”, explica Margarido.

O projeto tem a assinatura da holandesa Naco, a mesma empresa que projetou o aeroporto de Amsterdã. Algumas adaptações, no entanto, foram necessárias para adaptar o terminal ao gosto dos brasileiros, como a criação de um grande terraço de vidro com lanchonetes para as pessoas que vão ao aeroporto apenas a passeio. “Quando eu era criança meu pai me levava para ver os aviões em Congonhas e isso é bem típico dos brasileiros. Os holandeses não entendiam o porquê disso e tivemos que explicar para incluir no projeto. Além disso, outra característica nossa é levar a família toda para se despedir ou receber quem vai viajar. Pesquisas mostram que para cada passageiro há três pessoas extras no terminal. Por isso privilegiamos as áreas de alimentação e comércio para atender essas pessoas”.

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Um dos maiores problemas de Viracopos, contudo, continua a ser a escassez de opções de transportes públicos para chegar ao aeroporto. O projeto do Trem de Alta Velocidade e de um trem urbano continuam na pauta como possíveis soluções desde a capital paulista, mas estes dependem dos governos federal e estadual para saírem do papel: “Temos áreas previstas para uma estação de trem e um terminal de ônibus no aeroporto, mas isso depende do governo. Estamos à disposição em tudo o que for possível, mas este é um dos grande problemas a serem resolvidos. Por outro lado, muitos motoristas das zonas Sul e Oeste de São Paulo já estão optando por Campinas em vez de Guarulhos. Apesar de ser um pouco mais longe, pelo menos você sabe quanto tempo vai demorar”.

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Melhorias

Enquanto as obras seguem no novo terminal, a concessionária tem implantado algumas melhorias no atual. A mais importante foi a ampliação da área de embarque, com a criação de uma nova sala, no andar superior, e a transformação de de um corredor em uma sala de embarque com 1.700 metros quadrados. Os locais oferecem cadeiras e acesso à internet e ficaram bem simpáticos para os passageiros que aguardam seus voos.

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“Temos feito o possível, mas o fato é que quando assumimos aqui era uma panela de pressão. Com a vinda da Azul, que transformou Viracopos em seu maior hub, chegamos a atender mais de 9 milhões de passageiros no ano passado, em um espaço projetado para 3,5 milhões. Estamos ampliando todos os espaços e agora já é possível pegar um avião no horário de pico com tranquilidade”, observa Margarido.

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As duas melhorias mais aguardadas, contudo, são a loja free shop e a sala vip no terminal internacional. Ambas estão praticamente prontas, mas ainda sem data para serem iniciadas. A administração do aeroporto já assinou contrato com a Dufry, mesma companhia que administra a loja do aeroporto de Guarulhos. “A loja duty free está pronta e com as prateleiras. Até as mercadorias já estão aqui, em um contêiner. Só falta a aprovação alfandegária, mas não sabemos o prazo para isso. A sala vip também está pronta e estamos negociando a companhia que vai administrá-la. A sala terá 140 m² de área, mas no novo terminal teremos 1.800 m² para várias salas de companhias, cartões e alianças”.

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A falta da loja duty free e a sala VIP são apontadas pelo diretor como os fatores que dificultavam a vinda de novos voos internacionais para o aeroporto, ao lado de um setor de cathering, que também foi criado. Hoje, apenas a TAP opera voos internacionais saindo de Viracopos – três semanais para Lisboa. “Esses voos são importantes, especialmente pela grande quantidade de carga que transportam. No futuro, queremos ser um dos hubs mais importantes da América Latina”. A julgar por tudo o que vimos nessa breve visita, é bem possível que consigam.

 

 

Autor

Denis Carvalho - Editor chefe