Viajando por Cuba com a Aerogaviota e Aero Caribbean

Denis Carvalho 30 · novembro · 2012

Cuba tinha tudo para ser mais um destino caribenho, com uma vasta orla de grandes resorts das maiores cadeias hoteleiras, aproveitando as águas claras e mornas para fazer a alegria dos turistas do mundo todo. Isso se na década de 1950 não mudasse os rumos do país, transformando-o na única nação socialista do continente e um destino único a ser visitado, que cada vez atrai mais brasileiros. Se voar do Brasil para Cuba não oferece tantos percalços, o mesmo não se pode dizer dos trajetos dentro da ilha, que podem ser recheados de  aventura, com direito a aviões da década de 1970. Nosso leitor Alexandre Henry Alves decidiu encarar umas férias em Cuba com a esposa e conta para nós, neste relato formidável, o que o viajante deve esperar ao visitar o país, avaliando duas companhias locais, a Aerogaviota e a Aero Caribbean. Acompanhe a narrativa e divirta-se:

Quando a minha esposa sugeriu Cuba como destino de nossas férias em julho, fiquei bastante animado. Já tínhamos viajado por muitos lugares da América do Sul, EUA, Canadá e Europa, por isso eu ansiava por um lugar diferente. Cuba foi a escolha perfeita, pois o sistema político dos irmãos Castro ainda está vigente, mas não ficará por muito tempo, proporcionando os últimos momentos de uma viagem no tempo.

Procurando passagens, vi que a melhor escolha era ir de TAM para Bogotá e de lá ir de Avianca para Havana. Não encontrei voos diretos entre Brasil e Cuba. O trecho SP-Bogotá-SP saiu por R$ 1.281,67 (com taxas), por pessoa. Não era um valor muito bom, mas como a viagem era para a alta temporada de julho, não reclamei. Já o trecho Bogotá-Havana-Bogotá, pela Avianca, saiu por R$ 778,46 por pessoa, também com as taxas incluídas. Esse preço de R$ 2.060,13 até que ficou legal, pois nos permitia conhecer Bogotá e Havana.

Em Guarulhos, aproveitei a promoção do Itaucard TAM Platinum e embalei de graça duas malas. A viagem pela TAM começou mal, pois trocaram o avião de última hora e eu e a minha esposa, que havíamos reservado assentos juntos, um deles na janela, fomos obrigados a viajar separados, cada um em uma poltrona do meio. E o pior é que o A-320 não tinha sistema individual de entretenimento, o que só não foi mais entediante porque eu tinha alugado um filme no iPhone, que me salvou do marasmo de quase seis horas de voo.

Aterrissamos no aeroporto internacional de Bogotá, o El Dorado, cujo desembarque tem um free-shop de tamanho ridículo. Espero que o novo terminal, que estava em avançado processo de construção, melhore esse ponto. Com as malas em ordem, imigração já feita (muito tranquilo), pegamos um táxi para o Ibis Bogotá Museo, uma grande dica de hotel: é novo, conseguimos tarifas baratas em uma das “Super Quartas” da rede Accor e ficamos bem próximos das principais atrações da cidade.

Mas vamos deixar os detalhes de Bogotá para outra oportunidade. Só digo que, estando lá, não perca o Museu Botero, o Museu do Ouro e a visita à Catedral de Sal, além da subida ao morro junto da capital colombiana, que permite uma linda vista da cidade. E não se esqueça: Bogotá é fria o ano todo, com temperaturas variando entre oito e dezoito graus, mesmo no verão.

De Bogotá a Havana

Depois de três dias na capital colombiana, levantamos às 3h10 da madrugada para pegar nosso voo no El Dorado. Por conta do meu eterno pânico de perder o voo, caí na bobeira de perguntar ao taxista se demoraria muito a chegar ao aeroporto. Para quê?! O sujeito engatou uma quinta e voou pelas avenidas, fazendo um percurso de meia hora em doze minutos! Com isso, acabamos chegando a tempo de entrar na fila da Taca, que compartilha voos com a Avianca.

Finalmente, o trecho final para Havana, em Cuba

Enquanto fazia o check-in, minha esposa foi pegar um carimbo sei lá do que da Aduana, para não pagarmos impostos. Fomos então para a sala de embarque e só aí constatei que há inúmeras lojas de free-shop no El Dorado, todas concentradas no embarque. Pena que, pelo horário, eram poucas as abertas. Mas valem a pena.

Decolamos em um Embraer 190 com 25 minutos de atraso, para um voo de 2h30 até San Salvador, em El Salvador. Avião bom esse nosso! Sistema de entretenimento individual, poltronas duplas e um conforto acima da média. O voo balançou um pouco, mas no geral a viagem transcorreu de forma tranquila. Só fiquei um pouco desesperado com nossa conexão, pois chegamos às 8h45 e nosso avião decolaria às 9h05.

Ensandecido com o horário apertado, saí em disparada pelos corredores infinitos até chegar à nossa sala de embarque já botando os bofes para fora. Foi aí que entendi tudo: El Salvador tinha outro fuso horário, uma hora a menos que Bogotá. Que mancada! Mais calmo, recoloquei os bofes para dentro e andei um pouco pelas inúmeras lojas de free-shop, até chegar nossa hora.

Partindo para Cuba

No embarque, os funcionários da Taca chamavam a atenção dos passageiros para a necessidade de possuírem a “Tarjeta de turista”, que podia ser comprada ali mesmo no aeroporto. É, na verdade, o visto cubano. Como bom mineiro que sou, já tinha providenciado o meu diretamente na agência de turismo brasileira. Mas, por que um cartão? Porque reza a lenda que você pode ter problemas com a imigração americana se no seu passaporte constar um carimbo de Cuba. Não sei se isso é verdade, mas o fato é que realmente não carimbam seu passaporte.

Decolamos com quinze minutos de atraso em um A-320 novo, muito bom. Mas o melhor foi aproveitar a paisagem: de início, na decolagem, enormes montanhas e vulcões salvadorenhos; depois, o Mar do Caribe. Lindo mesmo.

Chegada

A chegada a um novo país é sempre um momento tenso. Chegar a Cuba, então, nem se diga! Minha curiosidade era total. Como seria o aeroporto? A imigração? A primeira impressão do país? Logo, tudo isso seria revelado. Interessante foi notar o cartão da imigração que distribuíram no avião, que continha uma pergunta sobre a posse de aparelhos de comunicação via satélite. Nunca tinha visto essa pergunta em outros países e foi fácil imaginar o motivo dela ser feita.

Sobrevoando o belo Mar do Caribe, no Airbus da TACA

O A-320 voou até o sul da ilha de Cuba e então fez uma curva para o norte, atravessando o país nesse sentido (o que leva pouquíssimo tempo) e logo começou os procedimentos de descida. O pouso foi tranquilo e logo meus olhos se depararam com vários aviões da Cubana de Aviación no aeroporto José Marti, o principal do país. Velhos modelos russos, alguns de longo alcance, estavam parados em uma área relativamente distante do terminal principal. Este, por sinal, era incrivelmente novo! Quando a gente pensa em Cuba, acha que tudo lá está caindo aos pedaços, que é do tempo da Guerra Fria, mas na verdade… é isso mesmo! Exceto o aeroporto.

Já em solo, senti o calor e a falta de ar condicionado. Percebi pelas inscrições no vidro do pequeno, mas agradável, terminal, que tudo ali era proveniente da China, percepção que se repetiria ao longo de toda a viagem: o que há de novo em Cuba é chinês.

Entrando em Cuba

A imigração foi tensa de início, pois você não vê o outro lado do saguão após os guichês, já que há uma parede com portas fechadas. Quando chegou a minha vez, foi tudo tranquilo: nenhuma pergunta, apenas uma foto. Depois disso, ainda passamos por uma pequena entrevista com uma enfermeira toda vestida de branco, que nos perguntou sobre o estado de saúde. Aí, foi só esperar as malas. Esperar, esperar e esperar.

A primeira visão do aeroporto José Marti, em Havana

Como o movimento no aeroporto era pequeno, fiquei intrigado com aquela demora e com o fato de as malas irem chegando aos poucos. Depois de um bom tempo, lá vieram as nossas, com uma delas devidamente aberta do lado. Sacanagem: haviam cortado a costura com um estilete e a situação só não ficou pior depois porque eu tinha uma cinta e a usei o resto da viagem para segurar a mala. Quem abriu? Colômbia ou Cuba?

Uma de nossas malas abertas na lateral, provavelmente pela imigração cubana

Dias depois, embarcando em Bogotá com destino ao Brasil, minha mala ficaria retida na alfândega, por conta de algumas garrafas, e eles me chamariam para que eu a abrisse na frente dos fiscais, o que me deu a certeza de que a sacanagem fora cometida pelos cubanos mesmo. E o pior é que a moça da Taca foi grossa e nem deu bola para as minhas reclamações. Saí do aeroporto amargurado com o prejuízo. Paciência.

Roteiro

Sempre viajo por conta própria, montando meus pacotes. Porém, a parte interna de Cuba foi comprada de uma agência de turismo em São Paulo muitíssimo profissional. Deles, adquiri para duas pessoas: 1) transfer de Havana para Varadero; 2) resort all inclusive em Varadero, por três noites; 3) transfer para o aeroporto de Varadero; 4) voo de Varadero para Cayo Largo; 5) transfer em Cayo Largo; 6) resort all inclusive em Cayo Largo, por três noites; 7) transfer para o aeroporto de Cayo Largo; 8) voo para Havana; 9) transfer até o hotel Meliá Cohiba; 10) duas diárias nesse hotel; 11) transfer do hotel para o aeroporto de Havana.

Paguei pelo pacote todo, para um casal, pouco mais de R$ 5.000,00. Não achei caro, definitivamente. Só tive insegurança quando recebi em casa os vouchers, que eram simples cartões emitidos pela agência de turismo, em convênio com uma agência cubana. Nada de bilhetes aéreos e outros documentos que estamos acostumados.

Dinheiro

Já no saguão do aeroporto, troquei 100 euros em CUC, a moeda cubana para turistas. Sim, em Cuba há duas moedas: uma para turistas, equivalente ao dólar; outra, para os moradores locais. Tudo o que paguei foi com CUC – os cubanos não aceitam dos turistas pagamentos na moeda deles, que vale cerca de 25 vezes menos. Por isso, as coisas saem relativamente caras para quem visita Cuba. Mas nada assustador.

Outra dica que eu já tinha lido é quanto ao dinheiro a se levar. Não tente ir para Cuba com dólares americanos, pois é bobagem. CUC 1,00 = US$ 1,00. Só que eles cobram uma taxa para converter dólares e você se ferra. Leve euros, a melhor solução. Outra dica: troque seu dinheiro no aeroporto mesmo, pois foi a melhor cotação que encontrei. Não há câmbio fácil fora dos hotéis, que costumam ter uma cotação fraca. Em relação aos cartões de crédito, são aceitos em poucos lugares, normalmente apenas nos hotéis, motivo pelo qual levar dinheiro é essencial.

Havia uma pessoa da agência de turismo nos esperando e ela falava português, embora o espanhol não fosse problema para nós (minha esposa é professora justamente de língua espanhola). Fomos encaminhados para o táxi e essa foi a primeira das várias surpresas agradáveis que tive com o pacote que comprei: tudo funcionou de forma perfeita, desde os transfers até os voos. Só o hotel em Cayo Largo decepcionou.

Já na saída do aeroporto, foi possível ver inúmeros carros americanos das décadas de 1940 e 1950, um dos maiores baratos de Cuba. É realmente uma volta no tempo! Nos meus cálculos, 40% dos carros cubanos são desses modelos; 40% são soviéticos com mais de trinta anos de uso e o restante são veículos mais novos, normalmente europeus e asiáticos. As placas amarelas são de carros particulares e estão quase todas nos modelos antigões. Nosso táxi não era um desses, mas um Skoda mais ou menos da minha idade.

Varadero
A viagem de carro até Varadero só não é mais chata porque a gente fica olhando o país. Não há pobreza extrema, embora a maioria das habitações seja simples. As estradas são boas e algumas delas são bem largas, com um trânsito tranquilo, até pela pouca quantidade de automóveis.

Nosso motorista, o Jorge, não conversou muito, mas falou do regime, elogiou Fidel e se mostrou orgulhoso do sistema educacional e de saúde em seu país, que são públicos, universais e gratuitos. Também mostrou preocupação quanto ao estado de saúde de Hugo Chavez e o resultado das eleições na Venezuela. Não falou o motivo, mas sei que é pelo apoio ideológico e financeiro que Chavez dá para Cuba. Vi algumas zonas industriais, uma usina termelétrica e muitos pontos de extração de petróleo ao longo da estrada. Fiquei pensando no quanto o país poderia se desenvolver se não fosse o embargo econômico.

Paramos em um lugar na estrada para irmos ao banheiro. O motorista disse que a maioria dos turistas gostava de parar lá para tomar Piña Colada, mas como eu tinha acabado de tomar um antialérgico, não quis. Aliás, meu estado físico não estava bom, com uma sinusite forte e o ouvido machucado do avião. Paramos também em Matanza, para eu tirar umas fotos, e seguimos viagem. Entramos em Varadero, mas nosso hotel era um dos últimos e demoramos a chegar. Eu estava um caco! Dei cinco CUC para o Jorge e ele se mostrou muito feliz. Para eles, isso é uma fortuna.

A razoável praia de Varadero, um destino cubano que não compensa, a menos que você tenha muito tempo de viagem

Enfim, chegamos ao hotel Paradisus Princesa del Mar. O check-in já estava pronto e recebemos algumas explicações do funcionário. O hotel me pareceu um pouco antigo, mas bonito. Fomos em um carrinho elétrico para o quarto, onde logo tomei um banho. O quarto era bonito e grande, mas vinha com o inevitável cheiro de mofo da beira mar.

Não vou entrar em detalhes sobre Varadero, para não tornar essa narrativa ainda mais longa, mas digo apenas uma coisa: não compensa. Há praias muito mais bonitas no Caribe. Além disso, você fica relativamente isolado da realidade do país, pois Varadero é uma península composta quase só de resorts, cheia de turistas canadenses e europeus. Para nós, foi bom apenas para descansar um pouco, mas se eu soubesse, nem teria ido para lá.

Varadero a Cayo Largo 

Voar dentro de Cuba é sempre uma emoção. Em primeiro lugar, não sabíamos qual seria a companhia aérea e nem mesmo o horário do voo, mas apenas o dia. A agente que nos recebeu em Havana nos orientara a procurar o guichê da agência que havia no hotel na véspera de nossa viagem, para “instruções mais detalhadas”. Foi o que fizemos. Descobrimos que nos pegariam no hotel às 5h30 da matina, sem indicação ainda do horário do voo. E lá fomos nós para mais uma madrugada rumo ao aeroporto!

O ônibus de fabricação chinesa chegou às 5h35 e fomos os primeiros a embarcar nele, já que nosso hotel estava na ponta da península. Foi então uma peregrinação de resort em resort, por um tempo infindável, colhendo a cada parada uma leva de turistas russos. Percebi que a maioria tinha comprado apenas a excursão de um dia para Cayo Largo, um famoso bate-e-volta, com saída pela manhã e volta no final do dia. Por isso, estavam quase todos de roupas de banho, enquanto eu e a minha esposa estávamos de calça e blusa.

Ônibus cheio, um guia cubano começou a dar um monte de informações em russo, já que quase todos ali eram dessa nacionalidade. Esse é outro ponto interessante de Cuba: embora o país não esteja mais sob o guarda-chuva soviético, a influência russa ainda é vista por lá, de leve, seja pela presença de turistas, por inscrições no idioma ou pelos veículos e aviões.

Por falar em avião, tratei logo de perguntar ao guia em que aeronave voaríamos e ele me respondeu contente que iríamos em um Embraer. Que felicidade! Melhor viajar com um monte de russos em um avião brasileiro, do que com um monte de brasileiros em um avião russo!

Aeroporto de Varadero: painel informa os poucos voos do dia

Às 7h00, chegamos ao aeroporto de Varadero. Também com aparência nova e moderna, guardadas as devidas proporções, estava praticamente vazio. Nos painéis, apenas alguns voos internos de companhias de fretamento e um ou dois internacionais, provenientes da Europa e do Canadá.

Aero Caribbean

Às 7h50, finalmente embarcamos no Embraer Bandeirante EMB-110P, de prefixo CU-T1552, da Aero Caribbean, uma das empresas de fretamento cubanas. Pesquisando na internet, encontrei informações sobre a aeronave: iniciou suas operações em 05/11/1976, apenas oito meses depois do meu nascimento, voando primeiro pela Rio-Sul. Passou pela Total Linhas Aéreas, viajou pela Amazônia em algumas companhias de táxi aéreo da região, até chegar às mãos da Aerocaribbean em agosto de 2010.

O Embraer Bandeirante que nos levou a Cayo Largo

Em síntese, um aparelho com quase 36 anos de uso no dia do nosso embarque. Mas eu estava muito feliz, pois era um avião brasileiro e eu havia encucado que era melhor um Embraer do que qualquer máquina russa. Outra coisa que me deu segurança foi a habilidade dos cubanos com a manutenção em geral. Se os carros deles com mais de sessenta anos ainda andam, por que um avião com 36 não voaria bem?

Chegando à bela ilha de Cayo Largo

Viajar em um Bandeirante é uma experiência interessante, porque o bicho não é pressurizado e treme todo com os motores enquanto está taxiando. Quanto aos bancos, uma fileira unitária na esquerda, outra com duas poltronas na direita, sem divisão entre elas. Para ser mais exato, é um banco só, no qual cabem duas pessoas. Para tampar as janelinhas, há cortinas, como as que existem nos ônibus.

Embora tremendo muito, o Bandeirante decolou tranquilo e iniciou uma lenta subida. Mais uma vez, iríamos cruzar Cuba, só que agora do norte para o sul. Como o avião voava relativamente baixo, por conta da falta de pressurização, pude observar bem o país e ver que há muita terra para a agricultura, mas com pouco uso. Uma pena, pois poderia ajudar no desenvolvimento do país.

Chegada

O voo durou apenas 35 minutos. Após atravessarmos a ilha, pegamos um pedaço do Mar do Caribe e fiquei deslumbrado com aquelas águas rasas, límpidas e coloridas, que pareciam um retrato do paraíso. Pensei até que um pouso na água ali não seria uma tragédia total… Que pensamento besta! E, graças a Deus, ninguém ouviu as bobagens que circulavam pela minha cabeça, permitindo que o avião pousasse na estreita ilha de Cayo Largo com tranquilidade.

O pequeno e simpático aeroporto de Cayo Largo

O pequenino aeroporto local é arrumadinho, mas muito simples. Para nos recepcionar, uma banda tocando música caribenha, algo extremamente comum em qualquer canto de Cuba, que parece ter sua alma diretamente ligada à música. Ser artista em Cuba é poder se aproximar do turista e ganhar um pouco mais, exatamente o que eles estavam fazendo ali, iniciando a música assim que os passageiros de um voo passavam pelo pequeno saguão, para logo terminarem assim que o último saía. Chegava outro voo e tudo recomeçava! Pude observar isso porque fiquei uns vinte minutos esperando meu transfer.

Cayo Largo

Se o Paradisus Princesa del Mar, de Varadero, é um resort razoável, o Sol Cayo Largo é um desastre. Aliás, acho que todos os hotéis da pequena ilha são horríveis. Para começar, chegamos ao resort às 9h10, mas só podíamos entrar no quarto às 15 horas. Para não perder tempo, abrimos as malas, arrumamos um banheiro e colocamos trajes mais adequados para a praia ali ao lado. Aproveitamos também para tomar o café da manhã que estava sendo servido, oportunidade em que constatei um dos piores defeitos do hotel: a comida. Além de não ser muito boa, às vezes me dava medo, especialmente por conta dos diversos desarranjos gastrointestinais que já tive na vida. Ver aquela comida toda exposta ao calor que fazia por lá, mosquitos voando aqui e ali, um monte de funcionários de má vontade, uma aparência de decadência, tudo isso não foi – definitivamente – uma boa recepção. Mas, tomei meu café mesmo assim e fomos para a praia, que fica junto ao resort.

Também não vou entrar em detalhes sobre Cayo Largo. Digo apenas uma coisa: vale muito! Sim, o resort all inclusive é uma porcaria. O voo pode ser medonho, caso você tenha pavor de aviões velhos. Além disso, a praia que fica junto aos hotéis é bonitinha, mar azul, mas não é lá a oitava maravilha do mundo. Só que o grande barato da ilha fica um pouco distante dos hotéis: as praias de Paraíso e La Sirena.

A beleza das praias de Cayo Largo

Do Sol Cayo Largo, sai uma espécie de trenzinho de tempos em tempos, que se sacoleja por um bom tempo em uma via de terra até chegar ao paraíso, que são essas duas praias indescritíveis, maravilhosas, quase desertas, de um azul que só o Caribe sabe ter, completado por aquela areia branquinha. Aquilo, sim, era algo que valia a pena, não o muxoxo de Varadero.

Noves fora a porcaria do resort, com suas piscinas envelhecidas, funcionários mal humorados e comida sinistra, o passeio a Cayo Largo valeu a pena. Aconselho a não fazer as excursões de um dia, pois devem cansar muito. Vá para lá com tempo, pois o hotel esculhambado é relativamente barato e você sobrevive a ele, podendo aproveitar duas praias paradisíacas.

Cayo Largo a Havana

Na véspera da nossa partida, procurei o funcionário da nossa agência de turismo para ver se seria possível embarcarmos em um voo pela manhã. Cayo Largo era legal, mas queríamos ir logo para Havana, pois só teríamos dois dias por lá. A notícia, porém, não nos agradou: nosso voo seria à tarde e ponto final. Sim, havia voos de manhã, mas o nosso seria à tarde, sem discussão.

No dia da partida, acordamos às 8h40 e fomos tomar café. Ruim como sempre, mas pelo menos comi uma omelete feita na hora. Voltamos para o quarto e arrumamos as malas. Começou então o dia micado. A água acabou. Fomos para a praia do hotel por volta das 10h20 e ficamos lá até 11h30, então voltamos para o quarto com o corpo pregando de água do mar, só que ainda não tinha água e tivemos que fazer check-out sem tomar banho. O pior é que a atendente do hotel não queria deixar a gente ficar com as toalhas de praia, o que nos permitiria ao menos um banho de ducha depois. Foi com custo que consegui ficar com as toalhas.

Ficamos nas piscinas até 13h15 e fomos almoçar. Fraco, muito fraco. Depois disso, o jeito foi gastar o tempo nas piscinas até perto das 16 horas, quando tomamos uma ducha ali mesmo, trocamos de roupa e ficamos aguardando o transfer para o aeroporto, que chegou às 16h30. O trajeto foi rápido, mas no aeroporto descobri que nosso voo era só 18h30 e iríamos em um avião russo. Pior: não voaríamos para o aeroporto internacional de Havana, mas para outro um pouco mais distante da capital. Paciência! Se a viagem fosse tranquila e abençoada, já valeria.

Aerogaviota de Antonov

Ficamos um bom tempo no aeroporto de Cayo Largo. Vi uma banca de livros lá dentro: só propaganda política. Triste. No pátio, um avião da Cubana de Aviación muito velho, estranho. Quando ele estava manobrando para decolar, vi sair labaredas de fogo de sua turbina direita e pensei: Deus me livre de voar em algo assim. Pois quando nos chamaram para embarcar, foi justamente em um desses que entramos, um Antonov An26B de prefixo CU-T1406, propriedade da Aerogaviota.

O Antonov An26-B que nos levaria de volta a Havana

Se minhas consultas não estiverem erradas, foi fabricado em 1977. Você pode até pensar que foi sorte nossa retornar em um avião mais novo do que o Bandeirante de 1976, mas em nenhum momento essa “juventude” de 35 anos me animou.

A entrada do Antonov é pela traseira

Tenho certeza que devia ser antes um avião de carga, porque se entrava pela traseira e não havia janelas para todas as fileiras. Também não havia saídas de ar e o calor foi ficando infernal, sufocante. Do lado de fora, um gerador para dar partida no motor. Medonho! E quando estava manobrando, vi as labaredas também no motor ao meu lado! Cruz credo!

Dentro do Antonov: não há janelas para todos, não há saídas de ar ou luzes de leitura

O avião decolou com poucos minutos de atraso e quando foi subindo entrou um ar mais fresco. Não houve turbulência e o voo foi tranquilo, graças a Deus. Pousamos em um minúsculo e ridículo aeroporto a oeste de Havana e as malas demoraram a descer. Depois, pegamos um ônibus até o Meliá Cohiba, nosso hotel. O atendimento de check-in foi lento e desatencioso, mas ficamos satisfeitos: realmente, é um 5 estrelas, principalmente para os padrões cubanos.

Detalhe para a bolha do lado esquerdo do avião, assento para o engenheiro de voo, uma figura tão antiga quanto o avião em si

Havana e a viagem de volta

Se você pretende ir a Cuba, gaste a maior parte dos seus dias em Havana. Dizem que Santiago de Cuba também é muito legal, mas fica do outro lado da ilha e não quis arriscar. Dois voos em aviões com a minha idade já foram suficientes para dar emoção à viagem!

Visão geral de Havana, uma bela cidade, marcada pelo tempo

Havana é uma cidade muito louca, que me lembrou em alguns pontos Salvador, mais especificamente o Pelourinho, mas sem os morros. A música e a dança estão por toda parte. Os edifícios caindo as pedaços, literalmente, são uma atração à parte. A região de Havana Velha é um lugar para ser percorrido com calma, sendo imperdível o mojito do La Bodeguita del Medio e o daiquiri do La Floridita.

Há triciclos chamados “Coco-Táxi” que fazem o trajeto de um lado para o outro, a um custo não muito baixo, mas também nada exagerado. Combinei com um coco-taxista e ele fez um passeio conosco por duas horas por Havana, levando-nos a pontos que normalmente não são visitados por turistas.

Enfim, fiquei apaixonado por Havana, uma cidade praticamente sem lojas, mas com uma cultura impressionante. Para os consumistas, recomendo comprar charutos apenas em locais especializados (comprei em uma loja do hotel mesmo), porque sempre te oferecem na rua, mas dizem que é roubada. Rum também é uma boa pedida para compras, assim como telas de pinturas, que são lindas e saem por um preço acessível. Fora isso, esqueça o consumismo, até porque Cuba ainda é comunista e não há o que comprar.

Quanto ao aeroporto, existem algumas lojas simples em sistema de free-shop, com preço exatamente igual ao do hotel onde estávamos, ou seja, não compensa. Além disso, vendem apenas produtos locais, como os já citados charutos, rum e pequenos souvenires.

Na volta, um gigantesco Antonov parado no aeroporto de Havana. Mas, nosso voo era em um Airbus da Avianca mesmo

Ficamos dois dias em Havana e voltamos em uma sexta-feira à tarde, em um voo da Avianca, direto para Bogotá. Foi uma viagem tranquila e relativamente rápida. Gastamos mais um dia em Bogotá e voltamos satisfeitos para o Brasil, em um A-320 da TAM cheio de padres católicos que tinham ido a uma conferência na capital colombiana. Na volta, ainda compramos algumas coisas no free-shop do El Dorado, que tinha preços muito melhores do que o brasileiro.

É isso. Cuba vale muito a pena, mas não perca tempo com Varadero. Mergulhe no país, em sua cultura e na alegria do povo. Se puder, visite Cayo Largo também.

Agradecemos ao Alexandre pelo ótimo relato, que certamente será bastante útil aos demais leitores. E você, já viajou para Cuba? Conhece as companhias aéreas de lá? Deixe sua impressão nos comentários abaixo e ajude outros leitores! Se fez ou vai fazer uma viagem com alguma empresa aérea que ainda não foi avaliada aqui no Melhores Destinos ficaremos felizes em publicar sua avaliação: entre em contato com a gente pelo e-mail dicas@melhoresdestinos.com.br Você também pode conferir todas as avaliações publicadas pelo MD neste post.

Não esqueça de dar uma passadinha no nosso Guia de Companhias Aéreas, onde você pode avaliar as empresas e ler as opiniões dos demais leitores.

 

 

 

Publicado por

Denis Carvalho

Editor chefe

  • valter castro

    Hilário, sem dúvida.

    Nunca pensei em viajar para Cuba.

    Agora, lendo esse relato, é que não vou mesmo!

    • Thiago Castro

      hahaha

    • Lilian

      Nao sei como e o voo do Brasil pra Cuba, moro no Canada, trabalho pra uma operadora de turismo aqui e estive em Cuba 2 vezes (voo de 4 horas), uma vez em SNU (Cayo Santa Maria) outra vez em CCC (Cayo Coco) e, depois de ter ido a Punta Cana e Riviera Maya, Cuba e meu destino favorito: praias paradisiacas (talvez um pouco menos em Varadero), aguas turquesas, rasas e tranquilas, gente super simpatica, comida deliciosa embora nao tao gastronomica como a do Mexico e Republica Dominicana.

      Nao vejo a hora de voltar, a experiencia foi otima apesar dos aeroportos nao serem tao modernos e cartoes de credito com alguma participacao com bancos americanos (embargo) nao serem aceitos no pais.

      Pode parecer um pouco ridiculo mas gostei tambem porque quase nao tinha turistas brasileiros (nao gosto muito de ir a um destino internacional e ter que escutar portugues por todo canto, como Paris, parece que perde um pouco a magia de escutar um outro idioma e de se integrar em outra cultura), ate porque, brasileiro quando esta no exterior fala alto, parece que quer ser notado o tempo todo e isso e um pouco embaracoso. (Vi muito na Europa e tambem no Caribe).

      Recomendo Cuba pra quem nao exige tratamento VIP, alta manuntencao ou servico 5 estrelas o tempo todo, o destino e pra se divertir, relaxar, ficar de havaianas quase o tempo todo e de se misturar com a rica cultura local e o povo alegre, um otimo destino pra familias com criancas de todas as idades.

  • Rodolpho Farias

    Um dos melhores relatos que já li aqui, de tão rico nos detalhes dá a impressão de estarmos em Cuba mesmo. Parabéns Alexandre!

  • Beto Arruda

    Que relato preciso e divertido!! haha Não sei se teria coragem de viajar nesses aviões. Desde que entrei em um avião tcheco caindo aos pedaços, dou graças a Deus de estar vivo! hahaha

  • Daniel Fernando Gon&

    Que baita relato, parabéns! Em 2010 estava em dúvida entre uma lua-de-mel em Varadero ou Punta Cana. Pelos relatos da época, vi que a comida era ruim e acabei indo pra Punta mesmo. Lá em Punta foi um negócio de rei.

    Pelo jeito em Cuba a comida continua ruim. Mas Cayo Largo e Havana valem a pena! Ainda tenho vontade de conhecer.

  • Vinicius Dos Santos

    Muito bom mesmo, parabéns. :0

  • Bruno Willames

    Relato muito legal. Acho que só faltou mais algumas fotos de Cayo Largo, fiquei curioso para conhecer melhor. O bom de ver fotos dos viajantes é que são autênticas, sem edições, dá pra se ter real noção da beleza do lugar, diferente das fotos de google que são todas maquiadas para aparentar uma cor de agua espetacular.

  • Tito Bosco

    Showwwww este relato! Mas prefiro o Caribe badalado mesmo kkkkkkk. Ah sim, pelo visto Havana parece um pouco com Salvador (Pelô) afinal aqui está uma degradação total. O descaso público em todas as areas de suporto ao turismo está uma lástima.

  • leonardo

    Nunca fui a Cuba mas passei várias vezes pelo aeroporto El Dorado em Bogootá e me causou estranheza o seguinte comentário "free-shop de tamanho ridículo. Espero que o novo terminal, que estava em avançado processo de construção, melhore esse ponto". O free shop do antigo terminal é muito maior de que qualquer aeroporto brasileiro e tem preços muito mais baratos que os dos free shops brasileiros. Inclusive na última vez já peguei o novo terminal funcionando e, neste caso, as lojas ainda estavam em processo de instalação, o que prejudicou o atendimento e a oferta e mesmo visualizando como vai ficar acho que não vai ser maior que o antigo não, até porque não há necessidade, mas bebidas, perfumes e chocolates estavam a pelo menos 20% mais barato que nos free-shops brasileiros, que aliás são os mais caros do mundo. Só vale a pena comprar aqui se você tiver no limite da cota de importação.

    • leonardo

      Fui comentar antes de ler todo o relato e falei besteira. Ele corrige adiante o tamanho do free shop colombiano e também lembra da diferença de preços em relação ao brasileiro. Excelente relato.

  • João Lu&iacut

    Não tenha dúvida de que suas malas foram violadas em Cuba. A fama do aeroporto internacional de Havana é amplamente conhecida. Os funcionários abrem as malas dos turistas estrangeiros em busca de bens que não estão disponíveis na ilha, desde tênis até chicletes. Vi um documentário uma vez sobre uma cubana que morava nos EUA e, toda vez que ela viajava a Cuba pra visitar os parentes, ela levava os presentes em dobro, porque sabia de antemão que as malas seriam violadas e furtadas no aeroporto.

    • Maria Elisa Schmidt

      Minhas malas não foram violadas em Cuba! Tenha dúvida tbm de outro lugar….

  • Sergio Doscher

    Algumas impressões da minha passagem por lá, acompanhado da minha esposa e dos meus filhos com 4 e 6 anos:

    – Realmente não se pode esperar nada da comida dos hotéis, nem da maioria dos restaurantes. Mas, em um "buteco de praia" (entre a pista e a areia) na praia do centro de Varadeiro, comemos uma Lagosta muito bem feita (tempero, acompanhamentos, etc.);

    – Aliás, esse "centrinho" de Varadeiro é muito interessante! Essa é a parte "original" de Varadeiro, que já era um destino turístico nos anos 50, antes dos Castros. Existe um "tur" em um ônibus duble deck barato e eficiente.

    – As praias desse "centrinho" de Varadeiro, são as que realmente valem a pena!!! Entendo a decepção com as praias do final da península… Essas praias não são originais! Ali, era uma região sem praias, com grandes rochas contínuas a "beira mar". Segundo o comentário do nosso taxista (que nos levou de volta a Havana), a praia desse final da península foi construída nos anos 90, quando houve uma parceria do governo cubano com as redes hoteleiras europeias (principalmente espanholas) para a construção dos resorts.

    – Embora as praias do "centro" de Varadeiro sejam realmente muito bonitas, me pareceu que ficar nos hotéis desse centro seja uma certa "experiência antropológica"… São mais antigos e mais simples (para nós, com crianças, seria mais difícil).

    – Existe um passeio imperdível em Varadeio… Cayo Blanco!!! É um passeio de barco de dia inteiro, mas vale cada centavo! A ilha é paradisíaca, o almoço está incluído, e Lagosta é uma opção, o barco é um catamarã grande e novo, com Cuba Libre (e demais bebidas) inclusa, e antes de chegar a ilha, tem parada para mergulho em corais e num "delfinário" com direito a beijinho dos golfinhos e à performance do bichinho! O passeio pode ser contratado na agencia do próprio hotel (são estatais, assim, como os barcos, etc.);

    – Também fiquei no Meliá Cohiba em Havana, e fiquei com as mesmas impressões (o resultado em termos de conforto é garantido). Muito próximo do hotel (uma quadra), existe um restaurante/escola (tipo SENAC), que a comida é muito boa e tem Lagosta (pena que só descobrimos no último dia);

    – Comungo da impressão em relação a Havana, é uma viagem no tempo! Não deve ir com preconceitos, é necessário ter a "mente aberta"!

    – Não comprei pacote. Comprei as passagens no site da TACA, e os hoteis no site do Meliá. Tirei a “tarjeta de turista” na embaixada aqui em Brasília (levando a comprovação da reserva dos hoteis e as passagens). Chegando lá, contratei o taxi para Varadeiro na ida no próprio aeroporto e na volta no hotel em Varadeiro. Fomos por uma estada em parte pelo interior (peque e pista simples até Matanzas), voltamos pela estrada principal, toda pista dupla, claramente dos anos 50, bem conservada, e já com essa característica de "viagem no tempo", pelos postos de gasolina do caminho, mirantes, etc. A chegada a Havana se dá passando por um túnel por baixo da bahia de Havana, também anterior aos Castros;

    – Tínhamos reserva de hotel para Cayo Coco, mas desistimos por não conseguir vôo para lá, a partir de Varadeiro (acabei nem tentando por lá, e antes de sair daqui achei inseguras as opções de sites que encontrei). De taxi achei que seria demais encarar com crianças mais de 400km pelo interior de Cuba. Comprei uma "tarjeta" de internet no hotel, e nos computadores do "office center" do hotel fiz o cancelamento no site do Melíá sem multa e reservei mais esses 2 dias em Varadeiro por um peço mais baixo que havia pago os primeiros;

    Parabéns ao Alexandre, pelo relato que é muito útil, principalmente tratando-se de Cuba!

  • Alexandre Henry Alve

    Pessoal, fico feliz que tenham gostado da matéria que escrevi. Viajar por Cuba realmente é uma aventura bem legal e, no caso dos voos, emocionante! Se alguém tiver mais alguma dúvida sobre Cuba e quiser me escrever, fique à vontade: alexandre.henry.alves@gmail.com

  • Jose Vitor Lopes

    O relato é muito bom. Tenho vários amigos que foram para cuba por 1 mês e não descreveram nem a metade do que li aqui. Parabéns:

    PS: "A entrada do Antonov é pela traseira" … daí você entende as primeiras letras do prefixo da aeronave heheh!

  • Marlos Sousa

    Parabéns pelo magnífico relato. Realmente a riqueza de detalhes e informações fez com que me sentisse em Cuba !!!!

  • Anderson Araujo Lima

    Li todo o relato, mas acho que vc não aproveitou muito a viagem, reclamou de quase tudo, mesmo sabendo a situação de Cuba, é igual um amigo meu que foi ao Egito e reclamou da pobreza, buzinas, pedintes, sabendo desde então, que isso era praxe lá, adoro viajar e sei aproveitar cada particularidade de cada país, mesmo que não seja do meu agrado, mas só de ter escolhido ir, procuro aproveitar ao máximo, de resto, um ótimo relato com ótimas fotos.

    • Maria Elisa Schmidt

      Concordo plenamente!

  • Henrique Badan

    Excelente relato! Pelo que eu li, fiquei com a impressão que o Alexandre tinha pelo menos 70 anos, pela quantidade de vezes que ele falou sobre a sua "idade avançada"…hehehe!

    Agora a melhor frase de todas foi: "Melhor viajar com um monte de russos em um avião brasileiro, do que com um monte de brasileiros em um avião russo!" Perfeito!

  • Maria Elisa Schmidt

    Fiz essa viajem com a minha mãe em Junho desse ano Varadero, Cayo Largo e por fim Havana, foi perfeita não tivemos nenhum problema, com hotel, malas, atendimento, em fim, foi tudo ótimo fariamos tudo de novo….

    • Maria Elisa Schmidt

      Alexandre me desculpa mais vc teve muito azar…. Minha viagem pra Cuba foi perfeita!

  • Isabela

    Alexandre,

    Parabéns pelo post super detalhado!

    Fui para Cuba em Abril e achei fantástico! Fui de Copa Airlines(saindo daqui de Brasilia), com uma escala de cerca de 1:30min no Panamá. Voo mto bom…umas 8 horas de viagem ao todo.

    Nossa viagem foi praticamente igual: 4 noites em Varadero, 3 em Cayo Largo e 2 em Havana. Simplemente AMEI Cayo Largo!

    Eu mesma montei a viagem…a única parte um pouco complicada é realmente a passagem interna. Primeiro tentei comprar pelo site Aerogaviota e na verdade é apenas uma reserva, vc não fica com nenhum comprovante. Depois efetivamente comprei a passagem pelo http://www.cubajet.com/ (agência de turismo estatal) com comprovante de pagamento do cartão mas sem e-ticket!

    Praticamente não existe pessoas viajando sem agência para Cuba. A recepcionista do Sol Meliá nem sabia que era possível fazer a reserva sem agência!

    Acredito que tivemos sorte com a Sol Cayo Largo. Conseguimos fazer check-in antecipado e late check-out sem custo algum (em redes americanas com certeza nos cobrariam por isso!). Quanto à comida achamos a do hotel de Varadero (Mercure Cuatro Palmas) tão ruim que achamos a do Sol Cayo Largo bem tranquila. Tudo é relativo! rsrsrs

    Recomendo muito uma viagem para Cayo Largo…com certeza a praia mais bonita que já fui! 🙂

  • Glaucia Schroeder

    Esse relato do Alexandre foi de alguém que realmente estava doente ou adoecendo… Muito desanimado, pessimista e chato. Uma pena… tanta coisa boa e mal aproveitada. Quem sabe uma próxima viagem com saúde o anime…

    • Glaucia, ele não relatou a viagem, mas sim os voos!

    • Alexandre Henry Alve

      Glaucia, na verdade, eu aproveitei muito a viagem. Achei Varadero sem graça, isso eu reafirmo. Mas, no geral, eu aproveitei bastante. Como o Denis ressaltou, a intenção aqui foi falar dos voos, dos deslocamentos. Escrevi também uma pequena reportagem sobre Cuba, enfocando um pouco mais os pontos turísticos. Essa reportagem foi publicada em um jornal local da minha cidade, Uberlândia: http://www.correiodeuberlandia.com.br/brasil-e-mu

  • MONIQUE FELIX BORIN

    Para ir a Cuba há também a possibilidade de ir com a Gol para Caracas e de lá de Cubana de Aviación para Havana. Fiz assim em 2010, com stopover em Caracas de três dia e gastei como 1400 reais.

    E só pra que não tenha informação errada: os turistas podem sim pagar as coisas em pesos cubanos. É claro que há alguns serviços e produtos que são cobrados em CUCs, mas não são todos, e em geral são esses das viagens mais "turistão".

    • Alexandre Henry Alve

      Monique, eu não tentei pagar em pesos cubanos, pois já tinha lido que não era (oficialmente) possível. Por isso, nem tentei. E sempre que eu perguntava um preço, eles me davam em CUC. Mas, se você conseguiu pagar em pesos cubanos, fica então a informação para os leitores! Obrigado!

  • Mariana Barreto de A

    As vezes eu acho que as pessoas viajam apenas para poderem passar pelos free shops da vida..

    Meu, quer comprar, vai pros estados unidos e volta abarrotado de perfume e roupa barata!!!!

    O maior barato de viajar é conhecer a cultura do outro lugar, as pessoas, suas peculiaridades…E o pior é ficar reclamando do lugar, dos hotéis.. Eu acho isso tudo o fim. A pessoa parece que vai pra ficar enfurnado no Hotel e não pra desfrutar o lugar!

    Eu concordo plenamente com vocês e também partilho da ideia da viagem como fonte de conhecimento e enriquecimento cultural, e não oportunidade pra entrar em loja, que tem em qualquer lugar… A propósito eu devo ir pra Havana em fevereiro; quem souber de alguma tarifa mais em conta que não precise passar por Bogotá eu agradeço! *_______*

    • Alexandre Henry Alve

      Mariana, eu adoro viajar, independentemente do destino. Um dos lugares que mais amei na vida foi Marrakesh, no Marrocos, que também é simples e não tem nada de luxo. Quando escrevi a reportagem, a intenção era tratar dos deslocamentos e da hospedagem. Relatei também alguns problemas para que o leitor pudesse saber o que pode encontrar. Mas, se eu fosse relatar os pontos turísticos, descrever tudo o que vi e vivi, seria então outro texto e tenho certeza de que a impressão não seria essa que você teve. Foi só o viés que adotei. Voltaria a Cuba inúmeras vezes (menos a Varadero), pois amei o país e, principalmente, seu povo.

  • Thiago Castro

    Não concordo contigo não. Tem coisas que vc só descobre na hora. Como ele ia saber q as praias de Varadero (pelo menos onde ele ficou) não são legais?? Como ele ia saber q os hoteis em Cayo Largo são ruins?? Ele adorou as praias de Cayo Largo (que são verdadeiramente praias caribenhas) e Havana em todos os sentidos.

    Como assim "reclamou de tudo"?? Vc é q só viu reclamação. Já eu – e acho que a maioria da galera aqui – achou o relato super bacana e realista. Melhor do q escrever q foi tudo as mil maravilhas, qdo na verdade houve vários pontos que não foram legais.

    • Concordo com o Thiago, e vamos lembrar que ele não avaliou o destino nem a viagem, mas sim os voos!

  • Thiago Castro

    Como toda viagem, acho que esse lance de ser bom ou ruim é uma questão de expectativa com nível de exigência. Não tem essa de azar.

  • thales araujo

    Fui a Cuba ano passado. Uma viagem sensacional! Pretendo retornar. Fui ao Cayo Santa Maria e minha estada foi no Barcelo All Inclusive. Muito bom!

    O voo também foi bom, manaus-panama-havana, pela Copa Airlines.

  • Paulo Rogerio Petina

    Rodolpho, concordo com voce. Uma leitura de qualidade, bom humor e clara, com pontos e virgulas que fizeram da leitura muito elucidativa e gostosa. Parabéns mesmo, Alexandre.

  • Eduardo Paci Galv&at

    Penso exatamente assim. Conheço pessoas que foram para Israel e reclamaram porque tudo lá é muito velho.. ahahaha.. Fui para a Ásia, em locais muito pobres e sujos, mas não deixei de gostar por causa disto, afinal cada país tem seus valores e particularidades.

    Acho fundamental, antes de cada viagem, pesquisar sobre como é o local de destino (em todos os sentidos), pouca gente faz isto.

  • Eduardo Paci Galv&at

    Concordo com a frase. Muito inteligente e, infelizmente, a mais pura verdade.

  • Claudia Correia Do C

    Lendo esta matéria, pensei no meu roteiro caribenho: Estou olhando passagens para Cancún para fevereiro, mas até agora nada de encontrar bons preços…Costuma ter promo para esse badalado roteiro?

  • Felipe Senna

    Muito bom o seu relato! Quem sabe não apareço em Cuba um dia xD

  • Aristóteles B

    Alexandre. Grande relato. Agora é que estou mesmo doido para conhecer Cuba. Somos – eu e minha esposa – gente simples e de fácil adaptação às coisas bonitas que Cuba pode nos oferecer, como por exemplo, a boa música e a comida de boa qualidade. Parabéns e obrigado pelas dicas!

  • Rafael Silva

    Otimo relato, mais quando voce fala que "Na volta, um gigantesco Antonov parado no aeroporto de Havana".Na verdade ele foi fabricado por outra empresa russa chamada Ilyushin, voce pode ate reparar que ta escrito o modelo da aeronave IL-96-300 no canto direito da mesma 🙂

  • Mauro

    Sem desmereçer o belo relato da viagem, apenas destaco que o avião quadrijato do aeroporto de Havana não é um Antonov, mas o Ilyushin Il-96.

    • Alexandre Henry Alve

      Mauro, é verdade. Eu me confundi com o fabricante.

  • amadeu j s tavares

    Me senti voltando no tempo!! estive em Cuba há 10 anos atrás, e pelo que relatou não mudou tanto..Estava num congresso na Republica Dominicana e de lá peguei um pacote para Cuba voando num avião Soviético Ylliushin -68 – pela companhia Cubana de Aviación – o qual, digo, excelente, pois não se esqueça que a tecnologia aeronáutica soviética era talvez a melhor do mundo. Hospedei-me (recordo bem) hotel Neptuno, cerca da embaixada russa, fiz um passeio de galeão pela baía de Havana com direito a show de canhão na fortaleza, e passeio a Isla de la juventud, na qual, hospedagem sofrível..O mais pitoresco foi a guia cubana que cismou e queria vir para o Brasil comigo.

  • Alexandre Henry Alve

    Maria Elisa, eu adorei a viagem! Relatei os problemas e percalços para que os leitores possam ter uma ideia do que eventualmente pode ocorrer. Mas, no geral, amei Cuba e voltaria com toda certeza.

  • Daniel Bazetto

    Muito bacana, eu já estava pronto pra ir pra Cuba daqui 8 dias e tive que cancelar de ultima hora, mas achei um pouco caro todo seu roteiro, se bem que o meu era algo mais histórico do que paradisíaco. O valor total para 10 dias ia ficar em torno de 5mil reais já com passagens hospedagem e alimentação. Claro que eu ficaria em casa de família que é muito mais barato que resorts.

    Eu espero que consiga ir antes de os irmãos Castro não tenham forças pra resistir.

  • Angelo Silva

    Foi o melhor relato de uma viagem que vi até agora no MD!

    Parabéns mesmo pelos ricos detalhes, e sem dúvida foi bastante proveitosa!

    E pela coragem também de voar nesses aviões, não sei se teria a mesma!

  • Jacqueline

    Fui para Cuba ano passado (mesmos locais, Varadero, Cayo Largo e Havana) e amei. Mas fui de Copa Airlines. Os voos internacionais foram ótimos. E os voos internos (Air Caribean Varadero – Cayo Largo e Aerogaviota Cayo Largo-Havana) também. Não tive do que reclamar e acho que fui em aviões mais modernos do que o Alexandre.

    O que mais me impressionou mesmo foi a extrema organização dos receptivos cubanos, não precisei me preocupar com nada!!

  • Pedro Henrique Marto

    Achei show o relato e depois vou mandar um das minhas 2 últimas viagens para UDI(1 com webjet voando direto do RJ e volta de Gol por SP e a outra por SP e voltando de Passaredo…rsrs)

    Parabens!

    abs

  • Rafael

    Ótimo relato! Parabéns, bem completo e junto com os comentários de outros leitores esta página está virando um verdadeiro dossiê sobre viajar a Cuba.

    Tenho bastante curiosidade para conhecer Havana, vou lembrar de consultar este post na hora da viagem.

    A foto 18, do carro azul com o sol ao fundo está linda!

    Abs.,

  • Daniel Vitor

    Um dos melhores relatos até hoje publicados aqui no blog. Tenho vontade de enviar algums, mas não sei como faço.

  • Caroline

    Bacana o relato! Mas, se vc quiser conhecer realmente a cultura do povo cubano, fique hospedado na casa de um!

  • Jose Eduardo Avila

    Eu estive em Havana por duas vezes, a trabalho, e fiquei bastante impressionado com a cidade. À despeito de muitos prédios estarem necessitando de reformas, achei a cidade bonita, bem organizada e com uma gastronomia muito boa, com chefs formados na Espanha e uma variedade incrível de alimentos. Também fiquei em bons hotéis, e isto certamente fez a diferença. Gostei do povo, da alegria e das cores da cidade. A música é uma coisa à parte. Fui comprar um CD de música cubana e a atendente começou a dançar na minha frente enquanto o música tocava. Achei aquilo bonito e ingênuo. Tenho certeza que após a dinastia Castro, Cuba será um país exuberante, pois suas possibilidades turísticas e seu povo são incomparáveis.

    • cesar

      Jose, tudo que vc relatou é consequenciaa dos ganhos socias que foram coonquistados com a revolução. Saúde, educação e segurança, infelizmente nós não conhecemos.

  • sergio emiliano

    Depois de muitos sonhos, conheci a ilha de Fidel. A escolha do destino sempre esteve associada à necessidade de entender e conhecer, como sobrevive o país da famosa revolução socialista de 1959 com suas sequelas sociais e políticas.O que 50 anos de embargo econômico será capaz de fazer?Também procurei obedecer a uma máxima do Dalai Lama que diz que pelo menos uma vez por ano, devemos ir a algum lugar onde nunca estivemos antes. Praticar o olhar estrangeiro, ou seja, se não vermos coisas diferentes, jamais faremos algo diferente.É preciso se "assombrar" com a paisagem do outro.
    Deixei o governo castrista de lado como condição principal da visita e aguardava ansioso pela surpresa.Boa ou má, serei o mais fiel possível nesse relato de viagem.Porém, como descrever sensações tão íntimas? Quem poderá entender a paz que senti, sentado sozinho, no paredão do Malécon vendo o sol dourado desaparecer no horizonte do Caribe? Viajei, lembrando do navegador Cristóvão Colombo, que descobriu a ilha em 1492 e ficou maravilhado com as cores e o cheiro de canela que perfumava as árvores e os pássaros.Era tudo que eu queria: estar ali, vivendo o que sempre quis viver, sem os receios que um lugar exótico possa causar.Muito bom andar pelas ruas ouvindo um língua diferente, descobrindo que maria isabel e paçoca não é a melhor comida do mundo e que a nossa bossa nova, pode sim, ser substituída pelo som inconfundível dos músicos cubanos.

  • Jonathan Petenão

    Parabéns pelo relato, muito preciso. Muito obrigado por compartilhar a sua história conosco!

  • Simone

    Qual a agência de SP que você comprou os pacotes de Cuba?